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A Cidade de Goiás recebeu no mês de dezembro de 2001, em
Helsinque, na Finlândia, o título de Patrimônio Histórico da
Humanidade. Referendado pela Unesco em junho, o reconhecimento legitima
a história da conquista do oeste brasileiro que, no caso, começou com o
massacre dos índios goiases, passou pelo garimpo de ouro e a instalação
da escravidão negra, espalhou-se ao estilo colonial, continuou como
capital e terminou, quando deixou de sê-la, no esquecimento -
esquecimento que, ironicamente, a preservaria o suficiente para ser de
novo lembrada, mas, agora, não mais só pelos goianos, mas por e para
toda a humanidade.
O título faz jus a essa história e também à
arquitetura, à cultura e à memória da cidade, o primeiro núcleo urbano
fundado no território goiano, no início do século 18. Ali, entre becos,
casarões coloniais e quintais-pomares, entre igrejas, procissões e
santos barrocos, entre empadão e alfenins (e querubins e serafins!)
está escrita a história goiana-brasileira e a história de todos os seus
fabulosos, violentos ou doces personagens.
Ali, às margens do
Rio Vermelho e nas bordas da Serra Dourada, juntam-se através dos
tempos o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhangüera, fundador
da cidade; o nobre Conde dos Arcos; o escultor Veiga Valle; o escritor
Hugo de Carvalho Ramos; a folclorista Regina Lacerda; e a poetisa e
doceira Cora Coralina. São histórias fantásticas que convergem para uma
só, agora premiadas pelo seu conjunto.
Cidade pacata, que preserva e cultiva sua tradições, Goiás, antiga capital do estado ganhou o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, concedido pela Unesco no dia 27 de junho de 2001 e comemorado por toda a população vilaboense.
A avaliação dos técnicos da Unesco baseou-se em dois dos cinco critérios adotados: o sítio foi considerado relevante para o período histórico que representa (critério II) e é um exemplo da ocupação humana na região (V). Este é o nono conjunto a conseguir o título no Brasil.
 Para Cristina Portugal, chefe da divisão técnica da 14ª Superintendência Regional do Iphan, o primeiro ganho da cidade foi o aumento na auto-estima dos moradores. 'O processo de restauração envolveu a todos, parece que a cidade se apropriou dela mesma', diz.
Tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional desde 1978, a cidade vem passando por diversas reformas ao longo dos últimos anos, numa tentativa de manter intacto seu aspecto colonial e oferecer melhor infra-estrutura a moradores e turistas.
Destacam-se a restauração das igrejas Sta. Bárbara e Matriz de Santana e do Museu Arte Sacra, além da retirada de postes e fios elétricos, agora subterrâneos, e da elaboração de inventários dos bens culturais da cidade. Goiás possui cerca de 485 imóveis tombados, numa área urbana de 40,3 ha, e 1.200 bens móveis, como obras de arte e mobílias.
Atualmente estão em andamento obras de saneamento básico em toda a cidade e a colocação de placas turísticas pelo centro histórico.
Goiás foi uma das cidades escolhidas na primeira fase do Projeto Monumenta, que financia a recuperação de sítios tombados através de empréstimos junto ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Cerca de R$ 1,9 milhões devem ser destinados à cidade, que deve investi-los na restauração de monumentos, como o Antigo Mercado, o Matadouro e Quartel XX, e na recuperação da área do rio Vermelho. Proprietários de imóveis tombados poderão conseguir empréstimos para reformar suas casas.
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